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A Participação dos Pais na Vida Escolar dos Filhos: Da Parceria a Ausência

                                                          Jovelina Gonçalves de Queiroz Ferreira

O envolvimento dos pais na educação escolar é necessário somente se concebermos a escola (e o trabalho docente) como dependente da contribuição da família e do trabalho extraescolar de outros adultos em prol da aprendizagem do currículo escolar.

Do ponto de vista da escola, envolvimento ou participação dos pais na educação dos filhos significa comparecimento às reuniões de pais e mestres, atenção à comunicação escola–casa e, sobretudo, acompanhamento dos deveres de casa e das notas. Esse envolvimento pode ser espontâneo ou incentivado por políticas da escola ou do sistema de ensino (Carvalho, 2000).

A política de participação dos pais na escola gera concordância imediata e até mesmo entusiasmada: parece correta porque se baseia na obrigação natural dos pais, aliás, mães; parece boa porque sua meta é beneficiar as crianças; e parece desejável porque pretende aumentar tanto a participação democrática quanto o aproveitamento escolar. Além disso, tem eco na tradição cultural da classe média, especificamente na crença de que a família influencia a política escolar (a qualidade do ensino), sobretudo no contexto das escolas particulares, onde a relação entre pais-consumidores e diretores-proprietários-produtores é direta e a dependência mútua é clara. Entretanto, além de condições e disposições dos pais para participar, a política de incentivo a sua participação na escola (particularmente no contexto da escola pública) pressupõe aquilo que ela quer construir: continuidade cultural e identidade de propósitos entre famílias e escolas.

Quando os professores têm condições de trabalho satisfatórias e se os alunos aprendem, não há necessidade de chamar os pais. As professoras recorrem aos pais quando se sentem frustradas e impotentes, quando os alunos apresentam dificuldades de aprendizagem e/ou de comportamento, com as quais elas não conseguem lidar.

Culpam a família (a ausência dos pais) pelas dificuldades dos estudantes porque têm sido culpadas (implícita ou explicitamente) pelas autoridades escolares, pela mídia e até pelos próprios pais e mães pelas deficiências do ensino e pelo fracasso escolar.

Além disso, carecem de instrumentos teóricos e práticos para desenvolver uma crítica social, institucional e pedagógica efetiva, devido às próprias condições adversas de vida e de trabalho, que as levam, contraditória e simultaneamente, a promover a aprendizagem dos alunos e avaliá-los segundo o modelo da reprovação.

Os pais tampouco necessitam participar da educação escolar dos filhos quando estes/as vão bem na escola, e preferem confiar nas professoras e deixar para elas a tarefa de ensinar o currículo escolar. (A suposição aqui é que a colaboração dos familiares, na forma de reforço escolar em casa, não é condição necessária para a aprendizagem e o sucesso escolar, e que há alunos e alunas que aprendem sem auxílio extraclasse). Por um lado, as relações entre pais/mães e filhos em casa podem ser mais agradáveis e relaxadas quando não envolvem exigências escolares, testes e dever de casa. (Parece perigoso restringir e subordinar o amor entre pais e filhos à situação do cumprimento do dever de casa e do sucesso escolar, como sugerido no segundo episódio da cartilha). Por outro lado, para os pais, interessar-se pela educação dos filhos não significa cuidar apenas da parte acadêmica, isto é, do sucesso escolar, pois a educação, do ponto de vista da família, comporta aspectos e dimensões que não estão incluídas no currículo escolar.

Em suma, se há concordância acerca do conteúdo, método e da qualidade do ensino oferecido pela escola, isto é, apoio tácito dos pais, e aprendizagem satisfatória dos filhos, isto é, convergência positiva do aproveitamento individual e da eficácia escolar, tudo vai bem na relação família–escola. Mas, se os resultados são insatisfatórios ou deficientes, seja em termos individuais ou institucionais, ou se há conflitos entre o currículo escolar e a educação doméstica, então há problemas.

Portanto, a relação família–escola basicamente depende de consenso sobre filosofia e currículo (adesão dos pais ao projeto político-pedagógico da escola), e de coincidência entre, de um lado, concepções e possibilidades educacionais da família e, de outro, objetivos e práticas escolares. A relação família–escola também será variavelmente afetada pela satisfação ou insatisfação de professoras e de pais, e pelo sucesso ou fracasso do aluno.

Ocorre que família e pais não são categorias homogêneas e as relações entre famílias e escolas, pais/mães (e outros responsáveis) e professoras/professores também comportam tensões e conflitos. Algumas famílias e pais/mães participam mais do que outras; e se as professoras, por um lado, desejam ajuda dos pais, por outro lado, se ressentem quando este envolvimento interfere no seu trabalho pedagógico e em sua autoridade profissional.

                 A participação da família no ambiente escolar tem se constituído numa constante necessidade frente à resolução de problemas referente a aprendizagem do aluno. Nos ambientes família/escola, o jovem assume papeis diferenciados. Na família ele participa e segue padrões de conduta estabelecidos por seus familiares. Na escola, é um pouco mais complexo, mais amplo, mas também tende a seguir os padrões e as normas da entidade, por isso, ambas precisam compartilhar a ação educativa e criar critérios para serem seguidos. É tarefa dos pais atender as necessidades dos filhos. Assim, os pais, para ter sucesso no processo de desenvolvimento de seus filhos, precisam ter um eixo direcionador, atitudes que, tomadas sistematicamente, ajudam a criança a crescer, tornar-se independente e equilibrada . Precisam atuar com equilíbrio e segurança para estabelecer as bases para uma adolescência sem maiores problemas. Neste momento é que é preciso entender os conceitos família/escola, realidades, contradições, conflitos, dimensões, limites e qual a probabilidade desta participar dom cotidiano escolar. Com o conhecimento dessas dificuldades, é possível repensar o aluno, sua família, as metodologias e contribuir para ampliar a interação da família na escola, buscando a efetivação de um relacionamento participativo e fundamentado no bem estar do jovem. A construção coletiva, a valorização da contribuição de cada um, a vivência da participação da família em todos os espaços da escola, além de garantir processos de aprendizagem, de apropriação de conhecimentos, garantirá a escolarização e poderá efetivar-se na formação de seres humanos mais bem preparados para uma prática social.

ISLENE MARIA NOGUEIRA TAVARES                                                          

                                                                                             

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