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Dr. Adalton, “Meu Bebê”

Filho, você foi muito esperado e amado. Quando eu estava grávida, suas irmãs, uma de 3 e a outra com 2 anos, me perguntaram o que eu tinha na barriga e eu sempre respondia: “um bebê”. Então, quando cheguei do hospital, com você nos braços, elas perguntaram: “é o bebê?”. Respondi que sim e foi assim que surgiu o seu apelido, “bebê”, o meu bebê.

Bebê sempre foi inteligente. Quando pequeno, amava ler as palavras no dicionário, chegou até a fazer um próprio só pra ele, decorando as palavras e seu significado. Lembro-me de muita gente dizer: “conversar com esse menino é difícil, fala umas palavras que a gente não entende”.

Como era de se esperar, formou-se muito novo, abriu seu consultório e fez vários cursos. Seu lema era: “aprender mais para dar o melhor para meus pacientes e alunos”. Tudo que fez, o fez com excelência.

Você significa vida, pois a viveu intensamente. Sua alegria, sua risada, suas histórias, suas piadas, suas brincadeiras, suas viagens… Em tudo, deixou a sua marca. Amava Deus, e dizia o quanto Deus te amava. “Oro todos os dias ajoelhado e tudo que peço, Deus me dá, Deus é muito bom”, eram as suas palavras.

Lembro-me de vestir você de Papai Noel, quando pequeno, para doar presentes para crianças carentes. Essa semente foi plantada e semeada. Você cresceu sempre se preocupando com os que não tinham nada para ceia de Natal e, então, surgiu o Natal Solitário. E foi assim que você se tornou um adulto com esse coração voltado para ajudar o próximo. Sempre odiou ver uma pessoa humilhando a outra, ver desigualdade, racismo, homofobia…

Até no hospital, mesmo indiretamente, você ajudou os outros, devido à quantidade generosa de doações de sangue em seu nome. Foram mais de 70 pessoas doando vidas.

Você lutou pela vida. Eu sei o quanto lutou, mas dizia que não voltaria mais para casa e eu danava com você. Você nunca havia ficado doente, até que em julho veio o diagnóstico inesperado: uma fibrose pulmonar idiopática, já bem avançada.  Você, com especialidade em UTI pulmonar, sabia o quanto era grave seu caso e raro pela sua idade.

Você partiu, levou um pedaço de todos nós. À sua família, companheiro e amigos, só nos restam as lembranças. E todos nós temos muitas.

Quero fazer um agradecimento, em nome de meu filho, à toda cidade de Itapuranga, a cada um que orou, jejuou, que fez campanha, que doou sangue e plaquetas. Quero agradecer também às pessoas de outras cidades que tiveram esse ato de amor e aos amigos que fizeram uma linda homenagem na sua despedida, em Itapuranga.

Quero agradecer aos médicos e aos psicólogos que se tornaram amigos, anjos que Deus usava para nos acalentar a cada dia no hospital.

Eu queria ser mais forte, meu filho. Você dizia que eu era seu alicerce, a “mamis poderosa”, a “Mara Maravilha” e tantos outros apelidos carinhosos, mas esse processo é longo e dolorido e o que eu posso fazer é tentar continuar a ser a guerreira que você dizia que tanto te orgulhava. Vou tentar, em sua memória, que tanto lutou para viver.

Eu e seu pai agradecemos a Deus por nos ter dado a oportunidade de sermos seus pais. Obrigada por ter nos dado tanto orgulho nesses 38 anos de vida. Termino com nossa frase de todos os dias: “Te amo para sempre e sempre juntos!”.

Mara Rocha e Adalton Guimarães.

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