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Atuação de padre gera críticas e causa descontentamento entre comunidade católica de Itapuranga

A liderança do padre responsável pela condução da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Itapuranga, vem sendo alvo de controvérsias entre a comunidade católica local. Vários fiéis ouvidos pela reportagem demonstraram descontentamento com a atuação do líder religioso. Entre as principais críticas, os membros da congregação relatam uma postura autoritária, falta de transparência na administração financeira da igreja e um envolvimento excessivo em questões políticas, além da ausência de benefícios ou avanços significativos para a comunidade.

O caso veio à tona após uma carta anônima, amplamente divulgada nas redes sociais, expor a crise em relação à atuação do pároco à frente da congregação. A publicação manifesta críticas diretas à suposta politização da igreja e à condução pastoral do sacerdote. O documento destacou preocupações sobre a crescente politização do espaço religioso e o distanciamento da igreja de sua missão espiritual e comunitária. “A igreja sempre foi um local de união, de valores éticos e morais, e não deve se tornar palco de divisões políticas”, diz um trecho. A carta também menciona a sensação de abandono em relação a problemas financeiros enfrentados pela paróquia e apela para que a liderança da igreja retorne aos valores cristãos de justiça, caridade e solidariedade.

A carta, por sua vez, não é a única reclamação que pesa contra o religioso. Um dos fiéis ouvidos pela reportagem relata que a paróquia segue sem avanços, enfrentando diversos problemas, desde que o religioso assumiu a liderança da congregação, há quase uma década. “Enquanto vemos outras igrejas prosperando sob a liderança de outros padres, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima está há quase nove anos sem avanços. Ele nunca trouxe nada de novo para a cidade”, declarou.

Outro fiel relata que seu descontentamento com o padre teve início com algumas medidas adotadas por ele logo ao assumir a paróquia. “Uma das primeiras atitudes foi desfazer as equipes de liturgia dominical, que eram de responsabilidade das pastorais”, relatou. Outra decisão controversa mencionada foi a retirada de recursos financeiros que algumas pastorais mantinham em seus próprios caixas, o que desmotivava os fiéis a organizar eventos para arrecadação. Além disso, o padre teria dado fim ao Encontro de Jovens com Cristo, programa reconhecido por seu bom trabalho junto aos jovens da comunidade.

O fiel também não esconde o seu descontentamento com a suposta vocação política do pároco. “Ele passou a dedicar boa parte de seu tempo para resolver questões da prefeitura, desviando seu foco da paróquia e sobrecarregando a secretária da igreja. Com isso, a arrecadação do dízimo caiu muito, ao ponto dele ter que recorrer aos caixas dos distritos de Vila São José e de Diolândia para pagar os funcionários. Isso tudo sem comunicar os tesoureiros dos referidos distritos, o que causou muitos desentendimentos”, relata.

“Ele sempre deixou claro que a palavra final sempre seria dele. É muito autoritário”, declarou à reportagem outro fiel, que também é membro do conselho administrativo da paróquia. “Esse é um sentimento dividido por toda a comunidade, vai além da paróquia, a comunidade está cansada”, disse.

Outro caso que pesa contra o padre diz respeito a um desvio de verbas que teria ocorrido na paróquia. Segundo relatos, a tesoureira indicada pelo pároco teria sido responsável por irregularidades financeiras, o que aumentou as tensões entre os membros da comunidade e gerou questionamentos sobre a supervisão e transparência na administração dos recursos da igreja. “Ele é corresponsável pelo maior desvio da Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Itapuranga”, alegou uma das fontes ouvidas pela reportagem.

O caso foi comentado pelo próprio padre. Em entrevista a uma rádio local, o líder religioso reconheceu a ocorrência, atribuindo o problema à pessoa indicada por ele para a função de tesoureira. “Eu confiava totalmente na pessoa. Meu erro foi não ter sido mais rígido. […] O dinheiro já voltou e está tudo solucionado”, declarou o sacerdote ao veículo de comunicação.

As reclamações contra o líder religioso não param por aí. Outra fiel ouvida pela reportagem conta que foi pessoalmente desrespeitada pelo pároco. A mulher é uma das fundadoras da Casa Terapêutica Bom Pastor, que fica no distrito de Diolândia. O local acolhe gratuitamente pessoas em situação de vulnerabilidade, entre usuários de drogas e de álcool, e está ligada à Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Ela sugere que, por questões pessoais, ideológicas e financeiras, o pároco vem, ao longo dos anos, supostamente promovendo boicote à entidade sem fins lucrativos.

A Casa Terapêutica Bom Pastor é mantida por doações da comunidade e do poder público, e principalmente por eventos beneficentes. A fiel conta que chegou a realizar vários leilões em prol da casa, mas acabou tendo que abrir mão da tarefa, após o padre ter dito que uma parte dos recursos arrecadados em leilões promovidos pela casa fosse destinada à paróquia em Itapuranga. Após o episódio, a relação entre padre e fiel teria se deteriorado ainda mais, chegando ao ponto do líder religioso ter supostamente proferido comentários desrespeitosos contra a mulher. “Ele foi longe demais, me senti desrespeitada”, disse.

Em meio às controvérsias, a Paróquia Nossa Senhora de Fátima publicou recentemente no Instagram uma carta de apoio e solidariedade ao padre, uma resposta direta à carta aberta publicada anteriormente nas redes sociais de maneira anônima. No texto, as críticas ao padre são classificadas como “injustas, infundadas e levianas”, destacando o compromisso do padre com a comunidade e com a justiça social. A paróquia reforça que sua atuação pastoral está alinhada aos princípios da Igreja, considerando as acusações como tentativas de manchar sua reputação. “Estamos cientes de que sua atuação está solidamente embasada nos documentos da Igreja, que confirmam o papel da comunidade cristã no mundo”, finaliza a carta.

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